ROMANTISMO NO BRASIL

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ROMANTISMO
No começo do século XIX o Brasil estava numa situação que hoje podemos ver o quanto era contraditória, não apenas em sentido político, mas também cultural. Colônia de um país atrasado como Portugal, o estatuto de dependência já atrapalhava os movimentos de suas classes superiores, que desejavam cada vez mais ser também dirigentes. Os homens cultos, os clérigos, os proprietários sentiam mal-estar no mundo fechado que a Metrópole criara, não apenas impedindo o intercâmbio comercial, mas tomando a parte do leão nos produtos da riqueza e estabelecendo condições humilhantes para os naturais do país. Isso explica certas tentativas de mudança, certos projetos de libertação, como a Inconfidência Mineira de 1789. De outro lado, o povo subalterno começava a manifestar sinais de inconformismo contra as classes superiores, o que resultava em ameaça ao Estado 8 O ROMANTISMO NO BRASIL português, como foi o caso da chamada Revolta dos Alfaiates na Bahia, em 1798. A situação da cultura intelectual era igualmente insatisfatória. Muitos homens de saber e administradores da Metrópole já eram brasileiros, recrutados graças à competência. Apesar de integrados no sistema de dominação, eles eram pela própria existência elemento de contradição, mostrando o paradoxo de uma colônia cerceada nas suas aspirações, mas que começava a fornecer pe- ças importantes para o funcionamento da cultura e da administração metropolitana, por meio de seus cientistas, magistrados, eclesiásticos, escritores, funcionários. Esses homens tinham estudado na Europa, porque o governo português sempre timbrou, ao contrário do espanhol, em manter os seus domínios americanos desprovidos dos instrumentos de transmissão e difusão da cultura superior. No Brasil não havia universidades, nem tipografias, nem periódicos. Além da primária, a instrução se limitava à formação de clérigos e ao nível que hoje chamamos secundário, as bibliotecas eram poucas e limitadas aos conventos, o teatro era paupérrimo, e muito fraco 9 ANTONIO CANDIDO o intercâmbio entre os núcleos povoados do país, sendo dificílima a entrada de livros. No entanto, não apenas os brasileiros começavam a pesar nas letras e ciências, mas a nossa produção local era considerá- vel nas artes plásticas e na música. Portanto, além das contradições econômicas e sociais, havia uma sensível contradição cultural. Não espanta que alguns intelectuais que viviam na Capitania de Minas Gerais se envolvessem na mencionada Inconfidência, sendo punidos com cárcere e desterro; e que pouco depois, em 1794, também outros do Rio de Janeiro se reunissem para debates inconformistas, numa associa- ção de cunho liberal, o que lhes valeu processo e prisão. Esse estado de coisas foi alterado por um acontecimento surpreendente: a transferência da Família Real Portuguesa para o Brasil. Ante a iminência da tomada de Lisboa pelas tropas napoleônicas, o Príncipe Regente D. João escapou em dezembro de 1807 com todos os seus, inclusive sua mãe, a Rainha louca D. Maria I, parte da Côrte, o governo, milhares de funcionários e soldados, tudo sob a proteção de uma esquadra 10 O ROMANTISMO NO BRASIL de seus aliados ingleses, chegando em janeiro de 1808 à Colônia atrasada e isolada, que sofreria modificação profunda devido a essa presença insólita e sob certos aspectos salvadora. De fato, tornando-se sede da Monarquia o Brasil não apenas teve a sua unidade garantida, mas começou a viver um processo de independência virtual, tornada efetiva em 1822 depois que o soberano voltou a Lisboa por exigência dos seus súditos portugueses. Em 1816 o país fora elevado à categoria de Reino Unido e, em 1821, ao se retirar, o Rei D. João VI (que sucedera à mãe, morta em 1816) deixou como regente o filho mais velho, herdeiro do trono, aconselhando-o que caso a independência se tornasse inevitável ele próprio a fizesse e governasse o Brasil. Foi o que fez o Príncipe, proclamando a separação e sendo aclamado Imperador sob o nome de Pedro I, numa solução conciliatória que permitiu às classes dominantes manter a posição e as vantagens, sem resolver os problemas das classes dominadas, o maior dos quais era a escravidão dos negros, abolida apenas em 1889





Resultado de imagem para imagens do romantismo brasileiro Além da exaltação do índio, o indianismo. O índio é imaginado a partir do ideal cavalheiresco do Romantismo medievalista ...



A Vontade de ser Brasileiro. O Romantismo


A partir da primeira metade do século XVIII, na Inglaterra e na Alemanha alguns autores passaram a expressar em suas obras as emoções, falando em sentimentos de amor e saudade num tom pessoal ou de amor à pátria, inspirados nas tradições nacionais. Era o nascimento do Romantismo, movimentos culturais que atingiram a França, onde, em contato com os ideais da Revolução Francesa, ganharam novo impulso espalhando-se por outras nações da Europa e pela América.
Foi graças ao Romantismo que, durante o século XIX, artistas e intelectuais brasileiros começaram a se preocupar em mostrar em suas obras as características de uma nação recém - fundada, distinta de todas as outras nações. Tratava-se de destacar os sentimentos e valores nacionais que nos tornavam diferentes, possibilitando a construção da nossa identidade. Para isso, artistas e intelectuais deveriam buscar nas tradições, religião, costumes, história e natureza, o material que permitisse expressar a nossa nacionalidade. Assim, no Brasil, o Romantismo adquiriu características especiais, defendendo os motivos e temas brasileiros, principalmente indígenas, expressos numa linguagem também nova, mais próxima da fala popular brasileira e mais distante da portuguesa.
2ª Geração Romântica <ul><li>I – Objetivos: </li></ul><ul><li>Construir a identidade nacional; </li></ul><ul><li>Manutençã...2ª Geração Romântica <ul><li>II – Principais influências: </li></ul><ul><li>Lord Byron, Shelley e Musset. </li></ul><ul><l...2ª Geração Romântica <ul><li>III – Características poéticas: </li></ul><ul><li>Geração egocêntrica e subjetivista. </li></...2ª Geração Romântica <ul><li>IV – Temas preferidos: </li></ul><ul><li>Amor: visão dualista, misturando amor e medo, desejo...Manuel Antônio  Álvares de Azevedo (1831-1852): <ul><li>I – Biografia: </li></ul><ul><li>Principal representante da geraçã...

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